segunda-feira, 20 de julho de 2009

Exercício:”Inspirado no texto de abertura do livro “As Loucuras de Brooklyn” de Paul Auster, completa a frase”. 10 Minutos.

Eu andava à procura de um sítio sossegado para morrer… Pensei meter um anúncio no jornal mas pensei que ninguém me levaria a sério. Mas não interessava, há tanta gente por aí a tentar vender a mãe e que obtém respostas, que tinha eu a perder? Pus. Rapaz simples procura lugar sossegado para morrer. Assunto sério. 93 4456789.
Eram 9h03 da manhã, o telefone tocou. Já nem me lembrava do som dele, deve ter sido por isso que aquela estranha melodia me entrou ouvidos adentro directamente para o meu sonho. Fiquei confuso. O que estaria o Nokia Tune a fazer naquela nave espacial onde me encontrava? Despertei. Atendi, era uma rapariga. Disse-me que conhecia um lugar que ela conhecia que me devia interessar. Marcamos “Então as 4h no rossio”.
Às 4h cheguei, olhei para uma rapariga que parecia corresponder à descrição do que ela tinha feito de si. “Olá, és a Joana?”. Ela disse que não, mas depois riu-se “Sim, sou eu! Anda comigo!”. Que raio… tanto alegria para quem me vai mostrar um sítio para morrer, pensei. Fomos de carro em silêncio. Chegámos a um sítio realmente sossegado, muito próximo do que tinha imaginado. “Aqui está”. E riu-se outra vez. Achei absurdo. Um ultraje à minha dor, havia qualquer coisa nela que me despertava revolta contra a minha condição. Depois disse-me:” Queres ajuda?”, no momento não entendi a pergunta e perguntei-lhe para quê, “Para morrer!” disse ela, e riu-se de novo. Deu-me vontade de rir, não sei porquê. Mas disse-lhe que não. Ela continuou “Tens a certeza? Conheço óptimas formas de morrer!”. Achei absurdo de novo, mas já não me ofendi. Sentámo-nos, o sol punha-se naquele sítio bonito e sossegado, na verdade seria um desperdício usá-lo para aquele fim. Pensei que era capaz de viver ali para sempre. E foi assim que em busca de um lugar sossegado para morrer encontrei um lugar sossegado para viver.

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